Dizem que somos filhos do destino
e portanto devemos aceitar o fatalismo
como fazendo parte da nossa natureza
mas se não podemos escolher o que nos acontece
podemos ainda assim escolher quem queremos ser.
Livres não somos de raiz porque condicionados
mas conquistamos a liberdade possível à força da vontade,
lutando contre ventos e marés, contra os profetas da desgraça
e todos os que nos querem dóceis e controláveis.
Livres podemos ser porque inquietos,
inconformados, rebeldes, grávidos de esperança.
Somos herança mas também somos construção,
arquitetos da nossa própria vida.
Temos a morte como limite inevitável
mas conseguimos ultrapassá-la através da memória.
Aceitar o destino é ficar quieto
e esperar que tudo nos aconteça.
A liberdade faz-se caminhando
e é o caminho que dá sentido à nossa vida.
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Porventura poucos serão os que se deixam cativar pela filosofia tal como são muitos aqueles que, ao encontrar a raposa do Principezinho, se apressam a ver nela o reflexo dos seus preconceitos. Estamos normalmente couraçados, impenetráveis a qualquer fascínio exterior que venha interromper o nosso marasmo. As nossas evidências são as nossas muralhas confortáveis, os nossos pequenos mundos reduzem-nos à pequenez dos nossos quotidianos. Preferimos os pensamentos sedentários, encaixotados, devidamente arquivados e assustam-nos os abismos e as profundidades. A filosofia surge-nos como a ameaça da esfinge, interpela-nos, desafia-nos, estilhaça as nossas crenças e obriga-nos a tomar consciência de nós mesmos. A filosofia incomoda-nos, obriga-nos a reflectir, a confrontar ideias, a aprofundar e fundamentar as nossas opiniões. A filosofia impede-nos de nos escondermos nos nevoeiros das opiniões do senso comum, partilhadas por muitos e descartáveis porque sensíveis às mudanças dos tempos e das modas. A filosofia exige que nos tomemos a sério e que façamos da nossa vida um projecto em construção, um projecto com sentido e viabilidade.
Para aqueles que acreditam que viver é deixarmo-nos ir na corrente, a filosofia é desnecessária, luxo intelectual, perda de tempo. Para aqueles que confundem ser com parecer e se deixam moldar de acordo com as conveniências, suas e dos outros, a filosofia é a voz da consciência que é preciso silenciar. Para aqueles que preferem as respostas totalitárias, consoladoras, a filosofia é altamente subversiva, revolucionária, conspirativa porque mina os alicerces da autoridade e desafia cada homem a assumir a sua liberdade de pensamento.
Por tudo isto poucos serão os que se deixam cativar pela filosofia. A própria filosofia contribuiu para esse estado de coisas ao distanciar-se da vida real dos homens enclausurando-se nas universidades e em círculos restritos de eruditos. O discurso filosófico tornou-se hermético, transformou-se numa cadeia de raciocínios especiosos quase impenetráveis. A filosofia ganhou teias de aranha, identificou-se com uma antiguidade que se preserva num armário recôndito. O discurso filosófico anquilosou-se, cobriu-se com a patine do tempo e privilegiou as palavras menos utilizadas e os conceitos mais complexos.
Porém, actualmente, a situação modificou-se. A filosofia dá mostras de querer sair da sua caverna e chegar a todos sem se descaracterizar, sem se transformar numa forma qualquer de saber popular. Sem perder a seriedade, a filosofia redescobriu o poder da provocação, da ironia, transformando a incomodidade da interrogação numa arma que conduz à reflexão crítica, à fundamentação criteriosa das ideias.
Continuarão a ser poucos os que se deixam cativar pela filosofia porque as ideias feitas, os preconceitos custam a desaparecer e é mais cómodo persistir na ideia de que a filosofia é assunto demasiado complicado, saber alheado da realidade, quase que místico, quase que fóssil. Num mundo de saberes encaixotados e de ideias prontas a serem consumidas, a filosofia mantém a sua incomodidade e a sua diferença. E no fundo é essa incomodidade e essa diferença que podem atrair os jovens, os de idade e os de espírito, para a filosofia.
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
- Stor - afirmou o Pedro - sempre ouvi dizer que os gostos não se discutem. Se os valores são gostos não há qualquer interesse em discuti-los.
- Também é verdade que se diz que a voz do povo é a voz de Deus - interpôs o professor - Mas mesmo assim questionamos o senso comum.
- Por isso é que os filósofos são esquisitos - adiantou-se o Pedro - Têm a mania de questionar tudo. Os filósofos não acreditam em nada. Para eles há sempre que encontrar explicações racionais.
- Os filósofos são de facto esquisitos, como dizes - confirmou o professor - mas é essa peculiaridade que os impede de adormecerem nas verdades feitas, nas crenças injustificadas que levam à intolerância. A sabedoria popular deve ser examinada. Muito dela pode ser aproveitado mas temos que saber pensar pela nossa cabeça e não pela cabeça dos outros, mesmo que eles sejam mais velhos e presumivelmente mais experientes.
- Voltando aos valores - interrompeu a Madalena - Eles são ou não gostos?
- Há quem os confunda com gostos e por isso os torne tão voláteis.
- Tão quê? - perguntou o André
- Tão mutáveis e transitórios.
-Poderia falar em português? - pediu o André
- Se os valores são gostos eles são individuais e inexplicáveis; cada um tem os seus e mesmo aqueles que temos podem alterar-se com o tempo e até desaparecer. Para os que identificam os valores com gostos nós damos valor às coisas porque gostamos delas.
- Isso parece-me ser evidente - comentou a Madalena
- Ou será que gostamos das coisas porque elas têm valor? - perguntou o professor
- Com essa é que me deu a volta à cabeça - afirmou o Pedro - Quer o stor dizer que os gostos são determinados pelos valores que temos?
- Os valores são qualidades que atribuímos às coisas e que estão na base das nossas preferências.
- Parece-me que essa posição é mais razoável - afirmou a Madalena - Podemos partilhar valores e eles são demasiado fundamentais para serem identificados com meros gostos efémeros.
- Se os valores não são gostos nem desejos, então o que é que eles são? - perguntou o Pedro
- Há quem defenda que eles têm uma existência própria. Os valores são independentes dos homens e das coisas ou situações às quais são atribuídos.
- Os valores têm corpo? - ironizou o Pedro - Ao menos que seja o da Angelina Jolie.
- Os valores não são coisas; a sua existência é como a das ideias platónicas. Recordam-se da "Alegoria da Caverna"?
- Então os valores são ideais? - perguntou a Madalena
- Sim, mas não são criações dos homens pois são anteriores a eles e subsistem mesmo quando os homens não os queiram reconhecer.
- Mas os valores são individuais - protestou o Pedro - Cada um tem os seus.
- Essa posição é defendida pelos subjectivistas. Para eles os valores são criações do homem. Não há valores universais e é absurdo pensar que os valores sejam independentes dos sujeitos. Valorar significa criar valores e isso é um atributo especificamente humano que implica liberdade.
- Se os valores forem criações individuais então voltamos ao início: porquê discuti-los se, para cada um, os valores são aquilo que ele cria? - intrometeu-se a Madalena - Aquilo que vale para mim pode ser totalmente desprezado pelos outros. Como é que se validam os valores?
- Para fugir a esse subjectivismo extremo há quem defenda que a construção dos valores não é individual mas sim colectiva e cultural; cada cultura cria ou adopta os seus valores. Se os valores são culturais então todos aqueles que fazem parte da mesma comunidade partilham basicamente dos mesmos valores e podem entender-se.
- Mas afinal os valores são objectivos ou subjectivos? - perguntou o Jeremias que tinha estado a acompanhar a aula pelo manual
- Essa questão só pode ser respondida através da apresentação das várias respostas possíveis e da sua justificação. É precisamente essa a essência do exercício filosófico: confrontar diferentes perspectivas, examiná-las, discuti-las, formar a nossa própria opinião.
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Entre o que nos acontece, o que fazemos e o que somos há um caminho a percorrer, um caminho que terá o nosso nome, um caminho povoado de vivências e memórias. A nossa história. Seremos nós capazes de assumi-la? Seremos nós capazes de olhar as nossas próprias sombras, reconhecer os nossos erros, recuperar a esperança depois dos contratempos e das desilusões profundas? Há sempre muitas desculpas para justificar as más escolhas mas que desculpas existem para explicar o que não fizemos, o ter ficado à espera, o ter deixado que tudo à nossa volta fosse acontecendo numa inevitabilidade insuportável? Mesmo quando nada fazemos podemos estar a agir. Escolher não agir é uma forma de se escolher e isso implica consequências. Tudo tem consequências e é impossível fugirmos a elas ou aceitar só as que nos são favoráveis. Se queremos ser livres temos que ser responsáveis e, mesmo que escolhemos abdicar da liberdade, mesmo assim vão exigir de nós responsabilidades. Por isso é preferível assumirmos como verdadeiramente nossos aqueles actos que foram da nossa autoria e não nos limitarmos, tal como as crianças, a sermos confrontados com todo um conjunto de coisas que dizem que fomos nós que as fizemos.Viver a vida com intencionalidade é sempre melhor do que ir vivendo a acaso, ao sabor dos ventos. Assumir a liberdade possível é melhor do que ser escravo de um destino inexorável que transforma a nossa vida num ininterrupto acontecimento.
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
O homem é um ser condicionado. Desde muito cedo, aprendemos que não podemos fazer tudo o que queremos. Essa consciência, por vezes bem pesada, não anula porém a liberdade, mas complica-a, obrigando-nos a pensar o homem como um ser situado e em circunstância e não como um ser abstracto, possuidor de dons e características inatos. A nossa liberdade de escolha não é ilimitada mas, por mais ínfima que seja, ela existe a não ser que abdiquemos dela e deixemos placidamente que outros escolham por nós. A liberdade humana é sempre a possível e nunca a desejável. A liberdade implica capacidade de autodeterminação, de autonomia, a liberdade constrói-se à nossa medida e à medida das nossas possibilidades. O que importa não é o que nos acontece mas aquilo que fazemos com o que nos acontece. É isso que faz a nossa diferença em relação aos outros animais. É esse o sinal da nossa liberdade, da necessidade de construirmos o nosso próprio destino.
terça-feira, 17 de novembro de 2009
- Voltando ao tema em análise: a acção exige um agente, aquele que assume os seus actos e que não é apenas um actor mas autor deles e consequentemente de si mesmo.
- Será que a nossa vida não foi escrita por alguém e nós apenas nos limitamos a representá-la? - interrompeu a Madalena
- Sei que não acreditas na liberdade e que preferes assumir uma atitude fatalista mas é possível assumirmos o nosso próprio destino começando por assumir os nossos actos, desejando-os, querendo-os, premeditando-os, escolhendo-os.
- O que é que o desejo tem a ver com a acção? perguntou o Jerónimo
- O homem é um ser de sonhos e de desejos. Tudo isso está presente nos nossos projectos e são eles que estão na base das nossas acções.
- Sonhar não basta - comentou a Madalena
- É preciso acrescentar a vontade ao sonho. Para que a acção passe da fase de projecto à execução é necessário ter força de vontade. Depois de delineado o projecto ou os múltiplos projectos que constituem a nossa vida temos que os por em prática, modificando-os se for necessário mas nunca desistindo.
- Por vezes obrigam-nos a desistir - disse a Madalena
- Muitas vezes somos nós que desistimos por preguiça, por comodidade, por fraqueza, porque sonhamos rasteiramente e depois culpamos ou outros pelos nossos falhanços. A vida não é fácil, nunca ninguém disse que o era. Não podemos projectar as coisas e ficar à espera que elas aconteçam, que os outros se afastem e deixem livre o espaço que julgamos que deveria ser o nosso.
- O stor está a dizer que devemos ir em frente contra tudo e contra todos? - perguntou o Rogério
- Não, não estou a fazer a apologia do forçar a situação para além dos limites transformando a nossa vida numa guerra aberta e permanente. Só devemos empenharmo-nos naquelas lutas que podemos e devemos vencer. As nossas grandes armas são a ponderação e o bom senso.
- Temos que pensar antes de fazer qualquer coisa? - perguntou o André - Pensar muito não significa adiar as coisa e a vida?
- Vê-se que estás a ler o Fernando Pessoa - observou o professor - A vida porém não é poesia e somos obrigados a pensar bem em tudo, a escolher entre as várias possibilidades para fazermos aquilo que é correcto e aquilo que é melhor para nós.
- Aquilo que é correcto? - perguntou a Madalena - Como é que sabemos o que é que é correcto?
- Ouvindo a nossa consciência moral. É claro que isso será o tema de uma próxima aula.
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
- Hoje, vamos fazer a destrinça entre acontecer, fazer e agir - começou o professor
- Vamos fazer o quê? - perguntou o André
- Vamos distinguir entre acontecer, fazer e agir. Aparentemente, à primeira vista é tudo igual e a maior parte das vezes usamos as palavras fazer e agir como se fossem sinónimos. Porém, "nem tudo o que fazemos é acção.". Esta frase de Jesus Mosterín vai servir-nos de motor de arranque.
- Já cá faltava uma citação para comentarmos - lamentou-se o Rogério
- Vamos fazer o quê? - perguntou o André
- Vamos distinguir entre acontecer, fazer e agir. Aparentemente, à primeira vista é tudo igual e a maior parte das vezes usamos as palavras fazer e agir como se fossem sinónimos. Porém, "nem tudo o que fazemos é acção.". Esta frase de Jesus Mosterín vai servir-nos de motor de arranque.
- Já cá faltava uma citação para comentarmos - lamentou-se o Rogério
- As citações só são importantes para despertarem os nossos próprios pensamentos. - o professor assumiu a sua pose doutoral - Há coisas que nos acontecem e das quais somos apenas as vítimas. Há coisas que fazemos sem delas termos consciência. Há ainda coisas que fazemos involuntariamente embora possamos ter consciência delas Por fim, há coisas que fazemos conscientemente, voluntariamente e intencionalmente. Só a estas coisas podemos com propriedade chamar acções. Deste modo, só os seres humanos efectuam acções porque agir pressupõe e implica consciência, vontade e liberdade. Qualquer acção é uma interferência no normal decurso das coisas.
- O que é que a liberdade tem a ver com a acção? - perguntou a Madalena
- A liberdade é o busílis da questão
- A liberdade é o quê? - preparou-se o André para escrever mais uma palavra esquisita no seu já repleto caderninho de bolso
- A liberdade é central em tudo isto. É a liberdade que nos distingue dos animais, é ela que está na base da auto-construção de cada homem. Ao agir, ao escolher entre várias possibilidades de acção, o homem escolhe-se e constrói-se.
- Voltemos aos elementos que caracterizam a acção - pediu o Jerónimo
- Falemos então da rede conceptual da acção
- De quê?
- Dos elementos caracterizadores e clarificadores da acção. São eles: o agente, o motivo, a intenção e a decisão que implica deliberação. Uma acção é sempre de alguém que tem razões que explicam aquilo que fez, tem um propósito e ponderou as consequências e as possibilidades. Se algum desses elementos da rede falha estamos perante um simulacro de acção, um acto falhado ou um equívoco.
- Há muitas coisas que fazemos por obrigação - comentou a Madalena
- Há vários tipos de obrigação: há obrigações externas, imposições a que não podemos fugir sob pena de sanções e há obrigações internas, morais que nós mesmos escolhemos e aceitamos. Estas últimas não anulam a liberdade mas estão implicadas nela e introduzem-nos nos domínios da responsabilidade. As acções exigem sempre responsabilidade. É isso que traduz a importância do agente, daquele que assume integralmente os seus actos.
- Gostaria de falar mais da liberdade - disse a Madalena - Não acredito que ela exista a não ser como ilusão Quem é que pode escolher aquilo que quer fazer?
- Essa discussão iremos tê-la numa próxima aula quando falarmos das condicionantes da acção e do determinismo.
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
- O que é um espírito aberto? - perguntou o Jerónimo na sequência de uma aula anterior
- A abertura de espírito implica ser tolerante, respeitar integralmente os outros, mesmo quando os combatemos. Por outro lado, ter abertura de espírito é não estar enclausurado em dogmas, verdades demasiado apertadas que são como que coletes de forças.
- Ter um espírito aberto significa não ter certezas? - perguntou a Madalena
- Claro que não. Ninguém pode viver na incerteza total e permanente. De uma maneira ou de outra funcionamos com crenças e há mesmo quem lhes chame conhecimento. É preciso é não transformar as certezas em fortalezas inexpugnáveis...
- Inexpugquê? - perguntou o André que andava sempre com um caderninho de bolso para apontar as palavras esquisitas que o professor dizia.
- Eu queria dizer inatacáveis.
- Já sabemos a importância da dúvida para a Filosofia - adiantou a Madalena - mas a dúvida excessiva não será prejudicial?
- estás-te a referir ao cepticismo radical - esclareceu o professor- É evidente que duvidar de tudo sistematicamente e indiscriminadamente pode ser contraproducente...
- O quê?
- Pode até ser perigos. Não podemos confundir a abertura de espírito com a contestação pura e simples, a contestação pela contestação, o espírito de contradição.
- Como é que se evitam os exageros da dúvida? - perguntou a Madalena
- Aí entra o espírito crítico. Filosofar é uma actividade radical mas sustentada racionalmente. Temos que ser exigentes em relação aos outros mas principalmente em relação a nós próprios. Ninguém se lança nas profundidades do pensamento sem apoios, sem se alicerçar num conjunto de regras básicas que sustentam a coerência do próprio pensamento.
- Há regras do pensamento? - admirou-se o Rogério
- O pensamento é livre mas não pode ser caótico, selvagem, sob risco de ser incompreensível. Não basta pensar; é preciso pensar bem e conseguir transmitir esse pensamento de forma a que possa ser avaliado e compreendido.
- Então, o filósofo tem que pensar radicalmente mas com regras? - tentou resumir o Jerónimo
- Esse será um tema para uma próxima aula.
- A abertura de espírito implica ser tolerante, respeitar integralmente os outros, mesmo quando os combatemos. Por outro lado, ter abertura de espírito é não estar enclausurado em dogmas, verdades demasiado apertadas que são como que coletes de forças.
- Ter um espírito aberto significa não ter certezas? - perguntou a Madalena
- Claro que não. Ninguém pode viver na incerteza total e permanente. De uma maneira ou de outra funcionamos com crenças e há mesmo quem lhes chame conhecimento. É preciso é não transformar as certezas em fortalezas inexpugnáveis...
- Inexpugquê? - perguntou o André que andava sempre com um caderninho de bolso para apontar as palavras esquisitas que o professor dizia.
- Eu queria dizer inatacáveis.
- Já sabemos a importância da dúvida para a Filosofia - adiantou a Madalena - mas a dúvida excessiva não será prejudicial?
- estás-te a referir ao cepticismo radical - esclareceu o professor- É evidente que duvidar de tudo sistematicamente e indiscriminadamente pode ser contraproducente...
- O quê?
- Pode até ser perigos. Não podemos confundir a abertura de espírito com a contestação pura e simples, a contestação pela contestação, o espírito de contradição.
- Como é que se evitam os exageros da dúvida? - perguntou a Madalena
- Aí entra o espírito crítico. Filosofar é uma actividade radical mas sustentada racionalmente. Temos que ser exigentes em relação aos outros mas principalmente em relação a nós próprios. Ninguém se lança nas profundidades do pensamento sem apoios, sem se alicerçar num conjunto de regras básicas que sustentam a coerência do próprio pensamento.
- Há regras do pensamento? - admirou-se o Rogério
- O pensamento é livre mas não pode ser caótico, selvagem, sob risco de ser incompreensível. Não basta pensar; é preciso pensar bem e conseguir transmitir esse pensamento de forma a que possa ser avaliado e compreendido.
- Então, o filósofo tem que pensar radicalmente mas com regras? - tentou resumir o Jerónimo
- Esse será um tema para uma próxima aula.
sábado, 31 de outubro de 2009
Sócrates
Porque é que é inevitável, ao falarmos da Filosofia, apresentarmos o exemplo de Sócrates? Porque ele representa bem a incomodidade da Filosofia. Chamavam-lhe "o moscardo" porque ele era inoportuno, colocava questões impertinentes aos que se afirmavam como sábios, acabava por mostrar que a sabedoria deles era apenas aparente, uma mistificação de charlatães. Sócrates utilizava a ironia para combater o pedantismo intelectual daqueles que julgavam que sabiam tudo. Sócrates recusava-se a ser o mestre, o sábio, o fornecedor de soluções e, em contraposição, ajudava os outros a pensar na sua função de parteiro. Sócrates é o exemplo de quem não abdica das suas ideias e, perante a ameaça dos múltiplos inimigos, mantém a serenidade de espírito.
É pois inevitável falar de Sócrates. No entanto não vamos incensá-lo, transformá-lo numa estátua dourada. Tratemo-lo da mesma forma que ele tratava os outros, com respeito e ironia, de maneira a não o converter num mestre infalível. Sócrates merece que aprendamos com ele a pensar critica e livremente.
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
A Filosofia é um saber interrogativo porque as questões são mais importantes do que as respostas.
A Filosofia é inquietação, é, como dizia Karl Jaspers, "estar a caminho" sem confundir as eventuais pousadas de repouso com o fim do caminho.
A Filosofia é incómoda porque não se satisfaz com o consolo das soluções milagrosas e tudo questiona sem limites nem preconceitos.
A Filosofia é um profundo exercício racional que não se compadece com a superficialidade das ideias inspiradas mas que se recusa a transformar-se num ´passatempo estéril divorciado da vida e dos seus problemas.
A Filosofia é diálogo e tolerância mas nem o diálogo tem que significar concordância obrigatória nem a tolerância pode descambar numa espécie de amoralismo em que vale tudo e em que os valores são todos equiparados.
A Filosofia é um desafio a nós próprios, à nossa capacidade de pensar radical e livremente, pensar a sério acreditando que quanto melhor pensarmos melhor poderemos viver.
A Filosofia é...
O que é para si a Filosofia?
A Filosofia é inquietação, é, como dizia Karl Jaspers, "estar a caminho" sem confundir as eventuais pousadas de repouso com o fim do caminho.
A Filosofia é incómoda porque não se satisfaz com o consolo das soluções milagrosas e tudo questiona sem limites nem preconceitos.
A Filosofia é um profundo exercício racional que não se compadece com a superficialidade das ideias inspiradas mas que se recusa a transformar-se num ´passatempo estéril divorciado da vida e dos seus problemas.
A Filosofia é diálogo e tolerância mas nem o diálogo tem que significar concordância obrigatória nem a tolerância pode descambar numa espécie de amoralismo em que vale tudo e em que os valores são todos equiparados.
A Filosofia é um desafio a nós próprios, à nossa capacidade de pensar radical e livremente, pensar a sério acreditando que quanto melhor pensarmos melhor poderemos viver.
A Filosofia é...
O que é para si a Filosofia?
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
- Como é que se aprende Filosofia? – perguntou a Madalena”.
- A Filosofia não se aprende. – respondeu prontamente o professor – Só se aprende a filosofar.
- O stor é que nos come a cabeça – desabafou o Rogério.
- Explique lá isso – pediu o Jerónimo.
- Poder-se-ia ensinar Filosofia se houvesse só uma Filosofia.
- E não há? – perguntou o André.
- Há muitas filosofias, quase tantas quantos os filósofos.
- Isso é muito complicado – queixou-se o Rogério.
- A Filosofia não é um saber de unanimidades, ela faz-se através da discussão, do confronto de ideias.
- E então, o diálogo? – perguntou a Madalena
- O diálogo não exclui as discordâncias, o diálogo, sendo sempre a procura da concordância, não tem obrigatoriamente que nos fazer chegar a uma conclusão unânime.
- Voltemos ao assunto – pediu a Madalena – Se não se pode aprender Filosofia então o que é que estamos aqui a fazer?
- Boa pergunta – admitiu o professor – A resposta não é fácil. A Filosofia é mais do que um conjunto de pensamentos sistematizados, ela é um desafio para que cada um de nós construa os seus próprios pensamentos.
- O que é que isso significa? – perguntou o Jerónimo
- Significa que a Filosofia nos pode ensinar a pensar com maior rigor, com maior profundidade. Ao estudar os pensamentos dos filósofos podemos aproveitar para treinar as nossas próprias capacidades.
- Podemos discordar das opiniões dos filósofos? – espantou-se o Rogério
- Desde que fundamentemos devidamente essas discordâncias – observou o professor – Mas para isso temos que compreender verdadeiramente aquilo que os filósofos disseram e porque o disseram. Não é legítimo criticar aquilo que conhecemos vagamente ou, pior do que isso, que desconhecemos totalmente.
- Isso quer dizer que temos que conhecer aquilo que os filósofos disseram mas não para os imitar ou concordar com eles – tentou resumir a Madalena
- O essencial é desenvolvermos a nossa capacidade de pensar. O essencial é aprendermos a pensar com maior rigor e liberdade – concluiu o professor – Cada pensamento nosso ou dos outros deve ser examinado com atenção, esmiuçado para se avaliar a sua congruência.
- A sua quê? – perguntou o André
- A sua consistência lógica, a sua coerência – explicou o professor
- Onde é que o stor vai buscar essas palavras difíceis?
- É preciso também conhecer o sentido dessas palavras difíceis se queremos entender as mensagens dos filósofos. Eles normalmente não utilizam a linguagem que vocês usam no vosso quotidiano.
- O stor quer que andemos com um dicionário?
- Se o objectivo for compreender as ideias de alguém, é necessário que nada fique por descodificar. Uma palavra mal compreendida ou até mesmo ignorada pode implicar que o sentido profundo do texto se torne inacessível.
- O que é que é preciso mais para filosofar? – perguntou a Madalena
- Ter espírito aberto e crítico. Mas isso é assunto para outra conversa – rematou o professor
- A Filosofia não se aprende. – respondeu prontamente o professor – Só se aprende a filosofar.
- O stor é que nos come a cabeça – desabafou o Rogério.
- Explique lá isso – pediu o Jerónimo.
- Poder-se-ia ensinar Filosofia se houvesse só uma Filosofia.
- E não há? – perguntou o André.
- Há muitas filosofias, quase tantas quantos os filósofos.
- Isso é muito complicado – queixou-se o Rogério.
- A Filosofia não é um saber de unanimidades, ela faz-se através da discussão, do confronto de ideias.
- E então, o diálogo? – perguntou a Madalena
- O diálogo não exclui as discordâncias, o diálogo, sendo sempre a procura da concordância, não tem obrigatoriamente que nos fazer chegar a uma conclusão unânime.
- Voltemos ao assunto – pediu a Madalena – Se não se pode aprender Filosofia então o que é que estamos aqui a fazer?
- Boa pergunta – admitiu o professor – A resposta não é fácil. A Filosofia é mais do que um conjunto de pensamentos sistematizados, ela é um desafio para que cada um de nós construa os seus próprios pensamentos.
- O que é que isso significa? – perguntou o Jerónimo
- Significa que a Filosofia nos pode ensinar a pensar com maior rigor, com maior profundidade. Ao estudar os pensamentos dos filósofos podemos aproveitar para treinar as nossas próprias capacidades.
- Podemos discordar das opiniões dos filósofos? – espantou-se o Rogério
- Desde que fundamentemos devidamente essas discordâncias – observou o professor – Mas para isso temos que compreender verdadeiramente aquilo que os filósofos disseram e porque o disseram. Não é legítimo criticar aquilo que conhecemos vagamente ou, pior do que isso, que desconhecemos totalmente.
- Isso quer dizer que temos que conhecer aquilo que os filósofos disseram mas não para os imitar ou concordar com eles – tentou resumir a Madalena
- O essencial é desenvolvermos a nossa capacidade de pensar. O essencial é aprendermos a pensar com maior rigor e liberdade – concluiu o professor – Cada pensamento nosso ou dos outros deve ser examinado com atenção, esmiuçado para se avaliar a sua congruência.
- A sua quê? – perguntou o André
- A sua consistência lógica, a sua coerência – explicou o professor
- Onde é que o stor vai buscar essas palavras difíceis?
- É preciso também conhecer o sentido dessas palavras difíceis se queremos entender as mensagens dos filósofos. Eles normalmente não utilizam a linguagem que vocês usam no vosso quotidiano.
- O stor quer que andemos com um dicionário?
- Se o objectivo for compreender as ideias de alguém, é necessário que nada fique por descodificar. Uma palavra mal compreendida ou até mesmo ignorada pode implicar que o sentido profundo do texto se torne inacessível.
- O que é que é preciso mais para filosofar? – perguntou a Madalena
- Ter espírito aberto e crítico. Mas isso é assunto para outra conversa – rematou o professor
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Numa aula virtual, depois de alguma hesitação, um aluno perguntou ao professor: “mas afinal o que é a Filosofia?”. Até esse momento, as aulas, nove ao todo, tinham decorrido normalmente, com o professor a cumprir a sua tarefa e os alunos a tentarem registar nos seus cadernos as palavras difíceis que o professor debitava num ritmo alucinante. Fez-se um silêncio. Os bons alunos temeram que ao professor lhe desse um ataque de fúria. Depois, freneticamente, o Jerónimo, procurou nos seus apontamentos e disse: “A Filosofia é a arte de despertar”. “O quê? – espantou-se a Madalena – a Filosofia é um despertador?”. “De certa maneira – ponderou o professor – os filósofos sempre foram os despertadores entre os homens adormecidos.”. Essa afirmação inquietou a Madalena: “Então os homens estão adormecidos e só os filósofos é que estão acordados?”.”Lembram-se da Alegoria da Caverna de Platão que vos contei numa das primeiras aulas? – perguntou o professor. O Jerónimo preparava-se para repetir palavra por palavra aquilo que o professor tinha contado mas foi interrompido. “Na maior parte das vezes estamos adormecidos nas nossas certezas, nos nossos hábitos, nos nossos longos sonos repousados a que chamamos quotidiano.”. ”Isso é próprio do senso comum – não pode evitar Jerónimo de dizer”. “Isso é próprio de quem tem preguiça de pensar e prefere aceitar o que lhe dizem – completou o professor”. A Madalena não estava ainda satisfeita: “então, stor, a Filosofia obriga-nos a pensar?”. “Essa é uma das suas funções: desafiar-nos a pensarmos pelas nossas próprias cabeças, a correr riscos, a abandonar a seguranças das ideias cómodas e habituais.”. Entretanto a campainha tocou. “Na próxima aula continuaremos a dar resposta à questão – prometeu o professor”.
sábado, 17 de outubro de 2009
Caracterizar a filosofia, mais do que enunciar um conjunto de elementos, significa destacar aquilo que distingue a filosofia de outros saberes e constitui a sua especificidade.
Com as ciências, a filosofia partilha a racionalidade, o rigor, a exigência, a recusa da imediaticidade e a desconfiança em relação às primeiras impressões e aos sentidos brutos. Tal como o saber científico, a filosofia defende a investigação meticulosa, o trabalho em profundidade e rejeita a preguiça daqueles que julgam que pensar é um acto automático, espontâneo, algo que nos acontece e de que somos apenas os receptáculos.
A filosofia é autónoma porque não depende de nenhum outro saber. Os seus pressupostos não são impostos do exterior e por isso podem ser eles próprios questionados. Autonomia significa também, como insistia Kant, em pensar pela sua própria cabeça, sem tutores ou mestres que nos dominam as vontades e nos escravizam a pensamentos estandartizados.
A filosofia é histórica porque nenhum saber tal como nenhum homem pode ser alheio às suas circunstâncias. Imaginar que alguém possa pensar totalmente fora do seu tempo e da sua época é imaginar o filósofo como uma espécie de semi-deus a pairar acima dos outros homens. No entanto, se o saber filosófico é histórico isso não significa que ele possa ser ultrapassado ou ficar cristalizado no tempo. O saber filosófico é fundamentalmente um saber preocupado com o futuro e que, sem ignorar o passado nem o presente, pretende ajudar os homens a projectar-se em direcção à esperança.
A filosofia é universal porque é um saber de todos e para todos e tem como objecto de estudo o real na sua globalidade. Recordemos que as ciências têm também como característica a universalidade, mas no caso das ciências ela significa que as respostas dadas são válidas para todos, pelo menos num determinado período de tempo. Não podemos esperar da filosofia os consensos que existem entre os cientistas. Isso faz parte da especificidade da filosofia e transforma-a num saber incómodo que é capaz de fazer da incerteza e da plausibilidade um dinamizador da procura intelectual.
A filosofia é radical. Isto não significa que possamos esperar ver os filósofos a surfar ou a praticar outros desportos radicais. Também não significa que politicamente os filósofos tenham que ser revolucionários. A filosofia é radical porque não se limita a abordar superficialmente os assuntos mas investiga-os em profundidade. Ser radical é também não impor limites ao pensamento, não ter tabus ou sinais de proibição que nos impedem de questionar determinados assuntos delicados. Ser radical é não ser prisioneiro das conveniências e não nos acomodarmos a pensar apenas aquilo que, em certas circunstâncias, pode e deve ser pensado. A radicalidade é a marca que distingue a filosofia dos outros saberes, o elemento que denota a insatisfação permanente do filósofo, a sua ânsia permanente em saber mais e em quebrar todas as barreiras que queiram impor ao pensamento. A radicalidade mostra bem porque razão a filosofia só se pode fazer em liberdade.
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Filosofar é:
· aprender a olhar e a ver – reorientar o nosso olhar e procurar novas facetas da realidade, alargando os nossos horizontes. Normalmente olhamos e não vemos porque a imediaticidade das coisas cega-nos e impede-nos de ver as coisas em profundidade. É preciso reaprendermos a olhar e principalmente a ver, sem névoas ou nevoeiros, sem preconceitos.
· uma libertação do pseudo-saber e da pseudo-realidade em que nos encontramos mergulhados e a que nos acomodamos. Estamos normalmente prisioneiros do saber que adquirimos, que absorvemos sem disso termos consciência. Usando o nosso espírito crítico, é necessário examinar tudo aquilo em que até agora aceitamos passivamente.
· uma arte de interrogação que, graças ao pensar autónomo, procura vencer o peso das doutrinas passivamente recebidas. O combate ao dogmatismo, às verdades inquestionáveis continua a ser um combate que é preciso travar agora e sempre em nome da tolerância e da liberdade de pensamento.
· uma busca de orientação para a existência, isto é, a tentativa de definição de um projecto para a nossa vida baseado na razão. Há que procurar o sentido das coisas mas também descobrir o sentido de nós mesmos.
· uma busca de construção de si – autonomia e liberdade através do saber, ou seja, uma conjugação de conhecimento e de exigência ética relativamente a nós próprios que nos permite definir o que queremos ser.
· aprender a olhar e a ver – reorientar o nosso olhar e procurar novas facetas da realidade, alargando os nossos horizontes. Normalmente olhamos e não vemos porque a imediaticidade das coisas cega-nos e impede-nos de ver as coisas em profundidade. É preciso reaprendermos a olhar e principalmente a ver, sem névoas ou nevoeiros, sem preconceitos.
· uma libertação do pseudo-saber e da pseudo-realidade em que nos encontramos mergulhados e a que nos acomodamos. Estamos normalmente prisioneiros do saber que adquirimos, que absorvemos sem disso termos consciência. Usando o nosso espírito crítico, é necessário examinar tudo aquilo em que até agora aceitamos passivamente.
· uma arte de interrogação que, graças ao pensar autónomo, procura vencer o peso das doutrinas passivamente recebidas. O combate ao dogmatismo, às verdades inquestionáveis continua a ser um combate que é preciso travar agora e sempre em nome da tolerância e da liberdade de pensamento.
· uma busca de orientação para a existência, isto é, a tentativa de definição de um projecto para a nossa vida baseado na razão. Há que procurar o sentido das coisas mas também descobrir o sentido de nós mesmos.
· uma busca de construção de si – autonomia e liberdade através do saber, ou seja, uma conjugação de conhecimento e de exigência ética relativamente a nós próprios que nos permite definir o que queremos ser.
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
O senso comum e a filosofia
O senso comum tem o peso da tradição, que o transforma num saber de repetição e de hábitos e tem a fatalidade de estar prisioneiro das primeiras impressões, das aparências, da falibilidade dos sentidos. O senso comum é, fundamentalmente, superficial, sensitivo e sensorial, subjectivo, assistemático, acrítico. O senso comum, embora tenha a vantagem de ser utilitário e permitir-nos resolver os problemas do quotidiano, torna-se pernicioso quando se assume como uma visão do mundo devido à falta de espírito crítico e à sua submissão às aparências ilusórias.
A filosofia opõe-se à superficilialidade do senso comum substituindo-a pela radicalidade, pela investigação em profundidade, recusando as primeiras impressões, as visões superficiais, as evidências demasiado imediatas.
A filosofia opõe-se à crença nos sentidos e às visões emocionadas e emocionais através da reflexão e do uso crítico da razão que supera os erros dos sentidos e as impressões emocionais.
A filosofia opõe-se ao subjectivismo egotista daqueles que fazem girar o mundo em volta de si mesmos e, afirmando que o pensar deve ser pessoal, insiste na importância do diálogo e na possibilidade de construir um saber partilhado.
A filosofia opõe-se ao anarquismo daqueles que acreditam que se pode pensar no caos e através do caos, desordenadamente, sem método, espontaneamente e propõe a substituição desse anarquismo intelectual por um esforço de sistematização e de rigor propícios à partilha de ideias e à sua fundamentação. A filosofia opõe-se à ausência de espírito crítico, à passividade, à preguiça intelectual, à predisposição para aceitar os argumentos da autoridade, afirmando o inconformismo, o direito à divergência e utilizando a dúvida, a ironia e a reflexão crítica como poderosas armas para derrubar os dogmatismos.
A filosofia opõe-se à superficilialidade do senso comum substituindo-a pela radicalidade, pela investigação em profundidade, recusando as primeiras impressões, as visões superficiais, as evidências demasiado imediatas.
A filosofia opõe-se à crença nos sentidos e às visões emocionadas e emocionais através da reflexão e do uso crítico da razão que supera os erros dos sentidos e as impressões emocionais.
A filosofia opõe-se ao subjectivismo egotista daqueles que fazem girar o mundo em volta de si mesmos e, afirmando que o pensar deve ser pessoal, insiste na importância do diálogo e na possibilidade de construir um saber partilhado.
A filosofia opõe-se ao anarquismo daqueles que acreditam que se pode pensar no caos e através do caos, desordenadamente, sem método, espontaneamente e propõe a substituição desse anarquismo intelectual por um esforço de sistematização e de rigor propícios à partilha de ideias e à sua fundamentação. A filosofia opõe-se à ausência de espírito crítico, à passividade, à preguiça intelectual, à predisposição para aceitar os argumentos da autoridade, afirmando o inconformismo, o direito à divergência e utilizando a dúvida, a ironia e a reflexão crítica como poderosas armas para derrubar os dogmatismos.
terça-feira, 29 de setembro de 2009
Origem da filosofia
A filosofia antiga nasceu de uma necessidade em explicar o mundo com explicações reais, sem buscar explicação no mitológico, no incompreensível; derrubando assim o mito para introduzir uma nova forma de analisar e compreender o mundo e seus fenómenos. O primeiro filósofo foi Tales de Mileto. Originalmente, todas as áreas que hoje denominamos ciências faziam parte da Filosofia: expressão, no mundo grego, de um conjunto de saber nascido em decorrência de uma atitude. E, de facto, tanto Platão, no Fédon, quanto Aristóteles, na Metafísica, puseram na atitude admirativa, no admirar tò thaumázein, e também no páthos ("um tipo de afectação, que pode ser definido como um estranhamento"), a archê da Filosofia. "No Teeteto, Sócrates diz a Teodoro que o filósofo tem um páthos, ou seja, uma paixão ou sensibilidade que lhe é própria: a capacidade de admirar ou de se deixar afectar por coisas ou acontecimentos que se dão à sua volta". O thaumázein, assim como o páthos, têm a ver com "um bom ânimo ou boa disposição (...) que levou certos indivíduos a deixar ocupações do quotidiano para se dedicar a algo extraordinário, a produção do saber: uma actividade incomum, em geral pouco lucrativa, e que sequer os tornava moralmente melhores que os outros".
WIKIPEDIA
A filosofia antiga nasceu de uma necessidade em explicar o mundo com explicações reais, sem buscar explicação no mitológico, no incompreensível; derrubando assim o mito para introduzir uma nova forma de analisar e compreender o mundo e seus fenómenos. O primeiro filósofo foi Tales de Mileto. Originalmente, todas as áreas que hoje denominamos ciências faziam parte da Filosofia: expressão, no mundo grego, de um conjunto de saber nascido em decorrência de uma atitude. E, de facto, tanto Platão, no Fédon, quanto Aristóteles, na Metafísica, puseram na atitude admirativa, no admirar tò thaumázein, e também no páthos ("um tipo de afectação, que pode ser definido como um estranhamento"), a archê da Filosofia. "No Teeteto, Sócrates diz a Teodoro que o filósofo tem um páthos, ou seja, uma paixão ou sensibilidade que lhe é própria: a capacidade de admirar ou de se deixar afectar por coisas ou acontecimentos que se dão à sua volta". O thaumázein, assim como o páthos, têm a ver com "um bom ânimo ou boa disposição (...) que levou certos indivíduos a deixar ocupações do quotidiano para se dedicar a algo extraordinário, a produção do saber: uma actividade incomum, em geral pouco lucrativa, e que sequer os tornava moralmente melhores que os outros".
WIKIPEDIA
domingo, 6 de setembro de 2009
Criei duas páginas pessoais dedicadas à filosofia que estão ainda em construção. Uma delas é directamente orientada para os alunos de 10º e 11º anos. A primeira chama-se Filosofia Sem Complicações e a segunda Filosofia Aberta
segunda-feira, 27 de julho de 2009
Sendo eu um fervoroso adepto da leitura poderia com facilidade indicar uma extensa lista de livros imprescindiveis que me marcaram. Quero no entanto destacar "O Principezinho" de Saint-Exupery. Não me recordo de o ter lido na minha juventude e, quando o fiz, já adulto, recuperei a criança que havia em mim e que, de vez em quando, ainda sinto existir. É muito vulgar classificar "O Principezinho" como um livro infanto-juvenil e aconselhá-lo a adolescentes que andam à procura de si mesmos. "O Principezinho" não é um romance nem um ensaio; quando muito um devaneio, um exercício de imaginação, uma viagem ao mundo do sonho e da infância. "O Principezinho" é uma fábula carregada de moral. Pessoalmente não estou preocupado em enquadrar o livro em qualquer uma das classificações usualmente utilizada. Um livro, qualquer livro, vale para mim pelo seu contéudo, pela sua mensagem, pela forma como está escrito e pela sua capacidade de me fazer pensar, viver vidas diferentes ou sonhar. Com os livros aprende-se, viaja-se, é-se de muitas maneiras. " O Principezinho" é um livro sobre emoções e escrito com emoção por alguém que não se envergonhava dos seus sentimentos e não se escondia sob a capa da racionalidade. O homem é um animal racional, como dizia Aristóteles, mas a racionalidade não pode amordaçar as emoções e sufocar a criança dentro de nós, condenando-a a viver prisioneira das regras e das aparências disfarçadas em bons costumes. Com "O Principezinho" ficamos a saber que a realidade cinzenta que nos circunda e na qual estamos atolados não é a única realidade e que o mais importante é encontrar verdadeiros amigos, cativar e ser cativados.
quarta-feira, 1 de julho de 2009
Assinar:
Postagens (Atom)
